
É com muita felicidade que escrevo neste blog.
Decidi criá-lo para que estreitemos nossos contatos, tão pulverizados em virtude do dia-a-dia e da distância.
Muitas vezes, olho pro meu filho e pros filhos de outros primos e penso: como pode uma família tão linda, tão numerosa, ter vindo um casalzinho como foi Vovó Isaura e Vovô Inácio?
Depois que nasceu Luiz Eduardo, me senti, como diz Ziraldo em seu livro Menina Nina, como uma matrioska, aquela boneca russa que tem dentro dela outra, e dentro da outra mais outra e assim vai. A gente entende mais o sentido da vida depois que é mãe. E passa a entender, também o sentimento dos nossos pais e avós.
Olho pra painho e mainha com Dudu e penso: poxa, como Vovô e Vovó nos amavam!
Não é justo que a distância (no caso de René e Pati, Igor, Marlos, Sandrinha, Ju, Ivana, Elisângela, Alessandro e tantos outros) atrapalhe esse laço invisível que nos une.
Não nos acostumemos a não saber uns dos outros!!! A não nos cumprimentar quando nos encontramos por aí, a não fazer festa e rir muito lembrando das histórias de quando éramos crianças e quando éramos felizes com tão pouco, como quando Tio Ivo levava todos até a Ponta do Seixas no trailler e íamos nos deslumbramos com uma cidade que era a nossa.
Não nos acostumemos com a indiferença, a não termos tempo de nos visitar, a não pegar um avião só porque deu saudade, a não sermos íntimos!
Segue um texto que bem demonstra meu sentimento: quero colocá-los todos sob minhas asas e fazer jus à tudo o que falam de nós: que somos lindos, por fora e, principalmente, por dentro.
Obrigada, Deus, por uma família assim!
Finalizo dizendo que esse blog está aberto aos primos, para quem foi essencialmente criado, aos tios/tias e agregados que são tão próximo que são como primos, a exemplo de Helton.
EU SEI, MAS NÃO DEVIA. (por Marina Colasanti)
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos
e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de
todas as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma
a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece
o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado
porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho
porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números
para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar
nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra,dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso
de volta.A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com
que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas
e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido,
desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar
condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potáve.
À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma
a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a
hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio,
a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia
está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar
a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos,
para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.Que aos poucos se gasta,
e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos
e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de
todas as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma
a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece
o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado
porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho
porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números
para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar
nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra,dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso
de volta.A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com
que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas
e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido,
desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar
condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potáve.
À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma
a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a
hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio,
a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia
está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar
a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos,
para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.Que aos poucos se gasta,
e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Eita Biba, que massa a iniciativa. O texto é tão real que não dá pra contradizer em momento algum. Fico feliz também quando sou lembrado por você com carinho e como alguém da família.
ResponderExcluirVamos em frente, porque pode parecer bajulação, mas pensei muito em você esses dias. E que desde que Luiz Eduardo nasceu ainda não te vi, nem a ele. E me perguntei o porquê, mas não tive nenhuma resposta concreta. Somente a 'falta de contato' mesmo.
Continuo aqui, com o mesmo carinho por você e querendo demais ver sempre os belos olhos azuis e o sorrisão que não sai do teu rosto.
Beijo grande, Helton Nóbrega
Gostei muito do blog,é legal podermos nos encontrar com a familia!
ResponderExcluirCarrazêraaaaaaaaaaaaaaaa...
ResponderExcluirSó podia vir de vc essa idéia...
Saudade imensa minha prima irmã carrazêra!!